Salvador, 14 de Dezembro de 2017

Jubilino Cunegundes

Jubilino Cunegundes

(20.10.1899 – 08.01.1989)

Jubilino Cunegundes era filho de Manoel Cunegundes de Souza e Maria Rosa de Souza. Seus avos paternos foram Manoel Gaspar de Souza e Maria Rosa de Souza, enquanto os avos maternos foram Francelino José de Souza e Francelina de Souza. Ele nasceu na fazenda São José, no atual município de Mulungu do Morro. Daí foi para a companhia de seus tios e padrinhos Júlio Antônio Neto e Antônia de Souza Neto, que eram importantes comerciantes e fazendeiros no povoado de Bela Vista, atual Utinga.

A sua mudança para Morro do Chapéu ocorreu em 20.10.1915, quando tinha 16 anos de idade.

Inicialmente Jubilino foi empregado da firma comercial Grassi & Cia. Nessa casa comercial, que tinha filiais em Cafarnaum, Caraybas (atual Irecê) e Tábua (no atual município de Ourolândia), ele trabalhou durante 17 anos, como caixeiro, escriturário e gerente de filiais, até a extinção da mesma. A empresa explotava e exportava salitre, durante a primeira guerra mundial, e também tinha fazendas e era compradora de diamantes.

Em 1927 começa a trabalhar como advogado. Em 17.08.1931, tornou-se advogado provisionado perante o Tribunal Superior de Justiça da Bahia. Em 1932, com o encerramento das atividades da Grassi & Cia., passou a dedicar-se à vida forense, atuando nas comarcas de Jacobina, Mundo Novo e Morro do Chapéu. Exerceu essa profissão até 1984.

Ao longo dos anos, com apoio dos chefes da época, a exemplo dos coronéis Antônio de Souza Benta, João Belitardo e Augusto Ribeiro, começou na política de Morro do Chapéu como secretário do diretório do partido político da época, sendo inicialmente escolhido por causa da sua bela caligrafia. Posteriormente, tornou-se destacado líder político, com uma longa carreira, inclusive exercendo por dez vezes o mandato de vereador, no período de 1926 a 1973, com um pequeno intervalo no Estado Novo e por oito vezes o cargo de presidente da Câmara de Vereadores. Com a morte do coronel Benta em 1946, assumiu os destinos políticos do município. Ele dizia não ter vocação administrativa e por isso não queria ser prefeito, preferindo indicar amigos que julgava capazes da aceitação popular. Assim, conseguiu eleger seis prefeitos.

Em 1947 foi candidato a deputado estadual, incentivado por Simões Filho e com apoio de Renerio Justiniano Dourado, de Irecê, bem como do deputado federal Autran Dourado.

Nos últimos anos de sua vida dedicou-se à condição de observador e conselheiro político daqueles que o procuravam.

Foi colaborador do Correio do Sertão, do Almanaque Luso-Brasileiro, do Almanaque das Senhoras, Record Charadista e do Malho, editado no Rio de Janeiro. Escreveu o livro Morro do Chapéu (edições de 1976, 1981, 1989 e 1999). Também integrava o grupo teatral Artur de Azevedo.

Através de contribuições, construiu, juntamente com Belarmino Rocha, o atual teatro Odilon Costa. Foi membro e sócio-fundador do Centro Educacional Morrense, sociedade mantenedora do Colégio Nossa Senhora da Graça.

Como homenagem da prefeitura, o colégio estadual inaugurado em 1999, na sede municipal, recebeu o seu nome.

Do seu primeiro casamento em 04 Jun 1925, com Carolina Guimarães Cunegundes (01 Fev 1906 – 26 Mar 1937), filha de José Tibúrcio Guimarães e Rita Costa Guimarães, nasceram os seguintes filhos:

Lourival casado com Maria Luzia França Cunegundes; Iracy casada com Arnóbio de Aragão Ribeiro (promotor); Gizette casada com Carlos Alberto Pardal Garcia; Idivaldo casado com Selma de Oliveira Garcia

Após o falecimento de sua primeira esposa em 27.03.1937, casou-se em 1939, com Aída Grassi de Vasconcelos (1919 – 06.06.2002), filha de Filinto Cícero de Vasconcelos.

O seu falecimento ocorreu em Salvador e o sepultamento em Morro do Chapéu


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Biografia de Jubilino Cunegundes

(Transcrita do Livro Capitão João Pedro, do escritor Edizio Mendonça – 2002)

 

Com a fundação do Jornal “Correio do Sertão” em 1917, em Morro do Chapéu, passou a colaborar com o jornal iniciando sua vida literária, colaborou depois com várias revistas e jornais do Brasil e de Portugal, chegando inclusive a ganhar alguns prêmios literários de âmbito nacional. Autodidata, Poeta, Historiador, Escritor e Contista, saiu do anonimato para ocupar as primeiras páginas de importantes jornais e revistas do país. Escreveu e publicou o livro “ Morro do Chapéu’ 1ª Edição – Editora Beneditina LTDA – 1976; 2ª Edição – Gráfica Trio LTDA – 1981; 3ª Edição- Empresa Gráfica da Bahia – 1989; e 4ª Edição – Secretaria de Cultura e Turismo – 1999, todas em Salvador.

Colaborou com o “Almanaque Charadista” editado em Portugal, com a Revista “ O Malho”, no Rio de Janeiro, além de outros órgãos de imprensa. Fazia parte do grupo teatral “Artur de Azevedo”, em Morro do Chapéu – BA.

Construiu, juntamente com Belarmino Rocha, com auxílio de populares, o Teatro Odilon Costa em Morro do Chapéu, obra importante que tem prestado relevantes serviços à cidade.

Em 1926 iniciou sua vida política, elegendo-se Conselheiro Municipal (Vereador) em Morro do Chapéu, assumindo, em 1945, a direção política do município, após o falecimento do Cel. Antônio de Souza Benta, função que merece destaque pela paz que ele soube implantar. Em 1946 fundou e presidio o Diretório Municipal do PSD. Conseguiu vários e importantes melhoramentos para o município de Morro do Chapéu, contando para isso, com apoio dos deputados Manoel Novais e Augusto Públio.

Elegeu seguidamente, por mais de 20 anos, os prefeitos municipais de Morro do Chapéu, devido ao grande prestígio que sempre possuía dentro do importante município. Em 1977, já velho e cansado de lutas, abandonou a vida pública.

Candidato a Deputado Estadual, pelo PSD, nas eleições de 19 de janeiro de 1947, não conseguiu ser eleito. Sua vitória era considerada tranquila, porém anularam 12 urnas na zona sertaneja, o que prejudicou a sua eleição.

Em Morro do Chapéu exerceu, entre outros, os seguintes cargos públicos: Conselheiro Municipal (Vereador) eleito em 26.08.1926 com 22 votos, pelo PRD, para o período 1925/1927; Conselheiro Municipal (Vereador), eleito em 13.11.1927 com 429 votos, para o período 1927/1929; Vereador, eleito em 15.01.1936 com 380 votos, pelo PSD, para o período 1936/1938; Vereador, eleito em 21.12.1947 com 424 votos, pelo PSD, para o período 1948/1951; Vereador, eleito em 03.10.1950 com 710 votos, pelo PSD, para o período 1951/1955; Vereador, eleito em 03.10.1954 com 495 votos, pelo PSD, para o período 1955/1959; Vereador, eleito em 03.10.1958 com 449 votos, pelo PSD, para o período 1959/1963; Vereador, eleito em 07.10.1962 com 176 votos, pelo PSD, para o período 1963/1967; Vereador, eleito em 15.11.1966 com 389 votos, pelo MDB, para o período 1967/1971; e Vereador, eleito em 15.11.1970 com 412 votos, pela ARENA Dois, para o período 1971/1973. Ao todo exerceu 10 mandatos de Vereador.

Na Câmara Municipal exerceu os seguintes cargos: Vice-Presidente do Conselho Municipal (1928/1929, 1930/1931 e 1936/1937); Vice-Presidente da Mesa Diretora da Câmara (1958/1959); 1º Secretário da Mesa Diretora da Câmara (1959/1960, 1967/1968, 1968/1969); 2º Secretário da Mesa Diretora da Câmara (1960/1961; 1954/1955, 1955/1956, 1963/1964, 1964/1965); exerceu todos os cargos da mesa Diretora da Câmara e foi Presidente e Membro de todas as Comissões Permanentes da Câmara Municipal, 1º Secretário do Diretório Municipal do PRD (1927/1929); 1º Decretário do diretório Municipal do PSD (1934); Presidente do Diretório Municipal do PSD (1946/1951, 1954/1958 e1962/1966); Presidente do Diretório do MDB (1966/1970); 2º Secretário da Sociedade Filarmônica Minerva (1920); Membro do Conselho Fiscal da mesma entidade (1955/1957); Membro do Conselho Consultivo da sociedade dos amigos de Morro do Chapéu (1958); Membro do Conselho Fiscal do Centro Educacional Morrense (1963); ele foi eleito Membro do Diretório Regional do PSD – Salvador- Bahia (1960).

Existem em Morro do Chapéu, em homenagem ao saudoso homem público, uma via pública denominada “Rua Jubilino Cunegundes” e o “Colégio Estadual (Jubilino Cunegundes”, implantado em 1999.

Como chefe político, foi um dos mais ilustres, sua imagem se projetou, por toda nossa região, como símbolo de coragem cívica e de liderança benfazeja.

Trata-se, na verdade, de um dos admirados, respeitados e acatados líderes políticos de nossa região, de todos os tempos.

Jubilino Cunegundes foi um político dos mais prestigiosos do sertão da Bahia, vulto dos mais ilustres, com personalidade inatacável e caráter dos mais íntegros.

Foi querido e respeitado por todos que o conheceram de perto. Era correto nas suas ações, gentil e afável com as pessoas que o cercavam, bem como era honesto e prestimosos. Foi na realidade, um defensor e um intransigente batalhador do progresso e do desenvolvimento da gente e da Terra de Morro do Chapéu.

Jubilino Cunegundes faleceu no hospital Português, em Salvador- Bahia, no dia 08 de janeiro de 1989, às 02:30 horas. Sendo seu corpo transladado para Morro do Chapéu, onde foi sepultado às 17:00 horas do mesmo dia, perante grande acompanhamento.

Em homenagem ao extinto, usaram da palavra as seguintes pessoas: Dr. Arnaldo Xavier, da Loja Maçônica Fraternidade Jacobinense, Benedito Belém, da Loja Maçônica Acácia Morrense; Luiz Alberto Matos Rocha, da Loja Maçônica do Oriente de Iraquara; Dr. Eduardo Batista de Oliveira, em nome de sua família e dos amigos da Barra do Mendes; Odilésio José Costa Gomes, em nome da sociedade de Morro do Chapéu; Prefeito Virgílio Ferraz, em nome do povo e do município de Morro do Chapéu; e, por último, agradecendo em nome da família do extinto, e bastante emocionado, falou Lourival Cunegundes, filho do saudoso homem público.

A sua morte foi bastante sentida em nossa região, sendo aberta uma grande lacuna, que dificilmente será preenchida.

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  • Jubilino
  • Verso da foto de Jubilino
  • Os três poetas (1929). Da esquerda para a direita: Eurycles Barreto (1896-1974), Oswaldo Dourado (1905-1963) e Jubilino
  • Jubilino Cunegundes Foto do período 1981-1982.
  • Jubilino Cunegundes (1899-1989).
  • 1. ?,  2-Jubilino Cunegundes, 3- ?  ,4-Eurycles Barreto e 5- ?

Comentários enviados

luis carlos  cunegundes garcia junior
luis carlos cunegundes garcia junior em 29/03/2014 às 20:44:21 disse:

muito bom ,mais ta faltando dar uma renovada em muitas coisas ainda...

carlos henrique  garcia
carlos henrique garcia em 30/10/2014 às 19:34:53 disse:

Vc e uma pessoa do bem parabéns lhe adimiro muito seu primo.

Alessandro Ribeiro da Silva
Alessandro Ribeiro da Silva em 27/03/2015 às 20:55:33 disse:

Com muito orgulho leio a história de meu bisavô Jubilino. Sou filho de Sônia Ribeiro, Neto de Arnobio de Aragão Ribeiro e Iraci Cunegundes Ribeiro. Apesar de muito novo na época, lembro da espectativa que nós, netos e bisnetos, tínhamos ao ficar à espera dele chegar a Salvador. Sempre carinhoso, atencioso e com histórias incriveis.. Obrigado por me fazer conhecer essa história onde, o que mais dou importância (família), é a base de tudo. Saudades dos momentos juntos.

Vera
Vera em 03/09/2015 às 10:55:58 disse:

Vi agora aqui no trabalho o nome de uma escola em Morro do Chapeu com o nome Jubilino COnegundes e fiquei interessada em saber de quem se tratava. FOi pesquisar e li toda a história deste bendito cidadão.Parabens Alessandro por fazer parte desta história. Muitas bençaos a todos eles que se encontram ao lado do SENHOR

Vera
Vera em 03/09/2015 às 10:56:28 disse:

Vi agora aqui no trabalho o nome de uma escola em Morro do Chapeu com o nome Jubilino COnegundes e fiquei interessada em saber de quem se tratava. FOi pesquisar e li toda a história deste bendito cidadão.Parabens Alessandro por fazer parte desta história. Muitas bençaos a todos eles que se encontram ao lado do SENHOR

jOAQUIM COUTINHO
jOAQUIM COUTINHO em 13/05/2016 às 11:30:13 disse:

Tive a honra de conhecer o Cel.Jubelino Cunegundes, advogado provisionado, escritor, líder político no município do Morro do Chapéu.Em várias oportunidades o visitei para conhecer a história da sua vida exemplar e do sertão baiano, que ele escolheu para viver desde a juventude.Contava-me sua viagem de Bela vista de Utinga até a cidade do Morro do Chapéu,montado em uma mula em busca de trabalho e continuar seu estudo elementar, após o concluir a alfabetização com a ajuda de uma professor leigo. Logo foi contrato para "caixeiro" de um armazém, destinado à compra e venda de produtos diversos, pertencente à família. Nest Grazi. descendentes de italianos.Neste local, na esquina da atual Av. Dias Coelho reuniam-se profissionais para conversas informais e passatempos com jogos de cartas, dominós e gamão. Sempre atento acompanhava as reuniões deste grupo, muito comum no interior. Dizia ele que ali frequentou uma escola informal, ouvindo e tirando dúvidas com pessoas "ilustradas" A partir de determinado momento, passou ao exercício da advocacia, obtendo o titulo concedido pelo Tribunal de Justiça de de provisionado, que lhe permitia exercer a advocacia, em substituição ao bacharel em direito, onde existisse carência de tais profissionais. Como escritor, escreveu para o quase centenário Correio do Sertão, periódico morrense, fundado por Honório Pereira. ainda em circulação. Guardo com admiração a oportunidade de conhecer o Cel. Jubelino, figura singular na vida sertaneja, com destaque na história do Morro do Chapéu.

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